Sabores com História: A Origem Fascinante dos Pratos Típicos Juninos

 Se tem uma coisa que faz qualquer um suspirar em junho é a mesa farta das quermesses. O aroma de canela, o milho cozido fumegante, o amendoim torrado... a gastronomia junina é um abraço em forma de comida! Mas você sabia que cada um desses pratos típicos tem uma certidão de nascimento e conta uma história sobre quem nós somos? Hoje vamos desvendar a origem das delícias que dão sabor ao nosso São João. Prepara o lenço para não babar!

1. Pamonha e Canjica (ou Curau)

Essas são as rainhas absolutas da festa, e a sua existência se deve à nossa ancestralidade indígena. O milho era a base da alimentação dos povos nativos do Brasil (como os Tupis e Guaranis). Junho coincide exatamente com a época da colheita do milho no país.

A palavra pamonha vem do tupi pamonha, que significa "pegajoso". Os indígenas já ralavam o milho, misturavam com água ou leite de castanhas e o coziam envolto na própria palha — uma técnica genial de embalagem natural! Com a chegada dos portugueses e africanos, a receita ganhou o leite de vaca, o açúcar e o leite de coco, transformando-se na canjica (ou curau, dependendo da região) e na pamonha doce que conhecemos.

2. Pé de Moleque

O pé de moleque é um doce puramente brasileiro que nasceu nas cozinhas coloniais de Minas Gerais e de São Paulo. Ele une a rapadura (trazida pelos portugueses através da cana-de-açúcar) ao amendoim, uma planta nativa da América do Sul.

E o nome divertido? Conta a lenda que as doceiras criavam os doces e os colocavam para esfriar na janela. Os meninos da rua passavam e roubavam os doces. As doceiras, então, gritavam: "Não rouba, minino! Pede, moleque!". Outra versão, mais prática, diz que o calçamento de pedras irregulares das cidades históricas coloniais (como Paraty e Ouro Preto) lembrava a textura do doce, sendo chamado de "calçamento de pé de moleque".

3. Quentão

Para esquentar o corpo nas noites frias ao redor da fogueira, nada melhor do que um bom quentão. Essa bebida nasceu no interior do Brasil (nas regiões de São Paulo e Minas Gerais) durante o período colonial.

Os camponeses precisavam de uma bebida barata que ajudasse a aquecer o corpo durante os trabalhos no inverno. Eles pegaram a cachaça (que era abundante e barata), misturaram com açúcar e as especiarias que vinham das Índias (como o gengibre e o cravo-da-índia) e ferveram tudo com cascas de laranja ou limão. O resultado foi um elixir aromático que virou sinônimo de festa caipira. (Lembrando que no Sul, o quentão é feito com vinho tinto, devido à forte colonização italiana!).

4. Bolo de Fubá

O fubá (que vem do termo angolano fuba, significando "farinha") nada mais é do que o milho seco e moído finamente. Na época do Brasil Colônia, o trigo era um artigo de luxo importado da Europa e muito caro.

As cozinheiras criativas das fazendas substituíram a farinha de trigo pelo fubá de milho para fazer os bolos do dia a dia, adicionando banha de porco (e depois manteiga), leite e erva-doce para dar aquele aroma inconfundível. Nasceu assim o bolo mais afetivo das tardes brasileiras.

Comer um prato junino é, literalmente, saborear a história da nossa mistura cultural. É honrar a terra, os nossos antepassados e a alegria de celebrar a vida com simplicidade.

Alimento para a mente: Que tal estender esse momento de prazer? Enquanto saboreia o seu doce junino favorito, mergulhe nas páginas dos meus livros no Kindle. Histórias envolventes, escritas com o coração de quem ama a vida e suas nuances. Clique aqui e conheça meus títulos!

Gu Ferrari 

Fonte de pesquisa: "História da Alimentação no Brasil" (Luís da Câmara Cascudo); Manifesto da Gastronomia Caipira.

Comentários