Destaques do Dia

Abra as Janelas da Alma: A Primavera Chegou para Desatar os Nós e Colorir Nossos Dias.

 A primavera finalmente chegou ao Brasil, trazendo consigo a promessa de um recomeço vibrante, colorido e profundamente renovador. Depois dos dias mais introspectivos do inverno, a estação das flores nos convida a abrir as janelas da alma e da casa para deixar a luz do sol entrar. O que devemos esperar deste período? Espera-se um verdadeiro espetáculo da natureza, onde ipês dourados e rosados colorem as cidades, os jardins ganham nova vida e o ar se enche de uma energia vibrante que convida ao movimento e à alegria. É o momento perfeito para desatar os nós que nos prenderam nos dias frios e permitir que novos projetos, sonhos e sentimentos comecem a desabrochar dentro de nós. Para além da beleza estética evidente, a primavera atua como um bálsamo para o nosso ritmo cotidiano. Ela nos lembra que a vida é feita de ciclos e que após qualquer período de recolhimento, a nossa essência sempre encontra um caminho para florescer novamente. É tempo de rever rotinas, cuidar da saúde física e...

Acredite, Às Vezes a Nossa "Estranheza" Encanta Alguém.


Papo sobre relacionamento sincero (ou a falta dele).
É extremamente difícil encontrar alguém que consiga se abrir para o nosso ser na sua completude. Nem todos possuem a capacidade de escutar os nossos silêncios, assim como, nem todos conseguem nos enxergar de dentro para fora.
Por esse motivo, na grande maioria das vezes, sentimos aquela sensação de estar só, mesmo estando em meio a outras pessoas, já que quando o outro é incapaz de nos enxergar com todas as peculiaridades que nos forma, dificilmente nos sentiremos em companhia de outra alma. Como disse Drummond: “Todo ser humano é um estranho ímpar”. Sendo assim, todos possuímos características próprias, trejeitos, maneirismos, esquisitices que nos caracterizam enquanto seres únicos e insubstituíveis. São as idiossincrasias que trazem essência ao nosso ser, que nos dão charme e nos tornam verdadeiramente atraentes aos olhos daqueles que se permitem ver e enxergar. O grande problema, contudo, está nisso: quantos de nós possuem olhos capazes de interpretar as “estranhezas” do outro como algo essencial a sua pessoa?
A bem da verdade, boa parte de nós sente dificuldade, seja em observar, demonstrar e absorver esse terreno de coisas peculiares que forma o que somos. E no meio desse problema cognitivo das lâmpadas da alma, sentimo-nos como que perdidos no meio de “tudo”. Sim, porque a gente se relaciona, está cercado de pessoas quase que o tempo inteiro, mas dessas, quantas de fato nos mostramos? E quantas nos dão guarida, sobretudo, no campo das nossas estranhezas?
O resultado disso se reverbera em relacionamentos inexpressivos e mecânicos, mergulhados sempre nas águas rasas da mesmice. Se a intimidade é o último refúgio, conhecemo-la muito pouca, embora acreditemos ter com ela muitas vezes. Entretanto, isso não ocorre como queríamos, uma vez que isso dependeria de um olhar mais abrangente para o outro, a fim de que dentro de nós os seus delírios encontrassem acolhida. Afinal – “É isto que amamos nos outros: o lugar vazio que eles abrem para que ali floresçam as nossas fantasias” – lembrando Rubem Alves.
E nesse espaço que se abre – não do lado de fora, mas na interioridade de alguém, e somente nele – que nos sentimos livres para nos despir de qualquer subterfúgio que utilizamos para encarar as banalidades do existir. Aliás, neste momento as próprias trivialidades mudam de sentido, porque tudo que fazemos, por mais simples que seja, revela as bases sólidas do nosso ser. Existe liberdade para ser e sensibilidade para sentir, porque o corpo está desperto, a alma se contorce em cócegas e a boca sussurra o gozo.
E, desse modo, encontramos o refúgio da intimidade, de almas que entendem que só é possível estar e sentir verdadeiramente alguém permitindo que ele seja o seu eu por completo, sem fugas ou restrições. Com todas as loucuras, esquisitices e sonhos, já que sem eles somos tão somente a penumbra da vida. Não vale a pena, assim, se esconder em padrões para agradar quem não aprecia as suas idiossincrasias, sabemos que isso só traz mais vazio. É necessário estar desperto para ouvir aqueles que entendem das melodias da alma, já que são nestas que as nossas estranhezas mostram o seu encanto. Precisamos de pessoas que saibam interpretá-las.

Erick Morais / https://provocacoes.com/

Beijo da Gu