Não existe manual para o dia seguinte. O luto não é uma falha, não é um sinal de fraqueza e muito menos algo que o tempo, por si só, apaga como uma borracha. Na verdade, a dor que sentimos hoje é a assinatura psíquica de um vínculo que foi — e continua sendo — essencial. É o preço, por vezes altíssimo, que aceitamos pagar pela coragem de ter amado profundamente. Quando o mundo perde uma peça que era o nosso alicerce, como uma mãe, a mente entra em choque. A psicanálise nos ensina que vivemos sob uma "ilusão protetora": acordamos todos os dias achando que o fim é algo que só acontece no quintal do vizinho. Quando a realidade bate à nossa porta e leva quem nos deu a vida, essa ilusão desmorona, deixando a verdade nua e crua diante de nós. Para Freud, o luto é um processo de "desligamento". Mas não se engane: esse desligamento não é esquecimento. É quando toda aquela energia emocional que investimos no outro precisa, lentamente, encontrar o caminho de volta para dentro...
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