O Espelho Partido: A Moralidade de Fachada e os Nossos Desejos Profanos

Vamos falar sobre o elefante na sala? Aquela hipocrisia que a gente finge que não vê, mas que está ali, ditando as regras de um jogo de aparências cansativo. Num mundo onde "parecer" é mais importante do que "ser", a moralidade muitas vezes se torna uma fantasia barata, usada para esconder o que realmente somos: seres humanos cheios de desejos, contradições e uma imensa sede de vida.

É curioso observar como o pudor alheio é uma pauta constante no tribunal das redes sociais. Julgamos a saia curta, o decote ousado, a liberdade sexual alheia como se fôssemos detentores de uma pureza celestial. Mas o que esconde esse dedo apontado com tanta força? Na maioria das vezes, o medo e a repressão dos nossos próprios desejos profanos.

Por trás de cada julgamento severo sobre a sexualidade alheia, costuma haver uma fantasia trancada a sete chaves. Apontamos o dedo para o prazer do outro na esperança de que ninguém perceba a fresta de desejo que existe na nossa própria armadura moral. O "pecado" do outro nos incomoda porque ele escancara a nossa própria covardia de viver plenamente o que está dentro de nós.

Parece que a integridade saiu de moda e a dissimulação se tornou o novo pretinho básico. Estamos tão ocupados construindo uma imagem de retidão para o consumo externo que nos esquecemos da honestidade com o nosso próprio coração. Ser verdadeiro com as nossas vontades, aceitar as nossas fantasias e viver os nossos afetos sem culpa passou a ser um ato revolucionário.

E quem paga o pato é a nossa própria autoestima. Na ânsia de agradar ao tribunal da moralidade, nos tornamos carrascos de nós mesmos. Silenciamos a nossa voz, reprimimos o nosso corpo e nos contentamos com uma vida em tons de cinza, com medo de que o colorido dos nossos desejos chame a atenção.

A verdade é que a moralidade verdadeira não está na repressão, mas na responsabilidade e na transparência dos nossos afetos. A integridade não é sobre ser santa, é sobre não mentir para si mesma e para os outros sobre quem você é e o que você sente. É sobre ter a coragem de ser você mesma, com todas as suas luzes e sombras.

Por isso, ouso te desafiar: ouse ser do bem, mas um bem real, que não precisa do mal do outro para existir. Ouse amar, sem julgar. Ouse aceitar as suas vontades e viver os seus prazeres sem pedir licença para a moralidade alheia. O seu corpo é o seu templo, as suas fantasias são a sua essência e o seu amor é a sua maior força.

A vida é curta demais para vivermos escondidos atrás de uma moralidade de fachada. Deixe que eles falem, que eles julguem. Enquanto eles estão ocupados fiscalizando o prazer alheio, ouse você viver o seu. Com integridade, com prazer e, acima de tudo, com muito amor.

Beijo da Gu Ferrari

Fontes de referência: Psicologia da Sexualidade, Ética e Moralidade (Michel Foucault), Estudos sobre Hipocrisia Social.

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