De onde vem esse tal de Dia dos Pais? (E por que no Brasil é em agosto?)

Se tem uma coisa que a gente ama no Papo com a Gu, é desvendar de onde vêm certas tradições que a gente cumpre no automático todo santo ano. Você para na frente da prateleira de meias, escolhe aquela estampa que seu pai provavelmente nunca vai usar na rua, compra um almoço bonito e pronto: feliz Dia dos Pais! Mas vem cá, você já se perguntou de onde saiu essa ideia?

Se a sua resposta for "deve ter sido invenção de algum comerciante esperto", parabéns, você acertou metade da charada! Mas a história inteira é bem mais curiosa do que isso.

Tudo começou lá atrás — e quando eu digo lá atrás, é lá na Babilônia, há cerca de quatro mil anos. Um jovem chamado Elmesu resolveu moldar um pedaço de argila em formato de cartão desejando saúde e vida longa ao pai dele. Fofo, né? Só que o "formato moderno" da data nasceu mesmo nos Estados Unidos, no início do século XX. Uma mulher incrível chamada Sonora Smart Dodd resolveu homenagear o pai, William Smart, um veterano da Guerra Civil que criou seis filhos sozinho depois de ficar viúvo. Inspirada pelo recém-criado Dia das Mães, Sonora pensou: "Poxa, meu pai segurou essa barra sozinho e merece um dia só dele!". A ideia pegou, ganhou o apoio de presidentes e virou tradição no terceiro domingo de junho por lá.

Aí você me pergunta: Gu, se nos Estados Unidos e em metade do planeta o Dia dos Pais é em junho, por que raios no Brasil a gente comemora no segundo domingo de agosto?

Prepara o café que a fofoca histórica é boa! No Brasil, o Dia dos Pais não nasceu de uma comoção poética, mas sim das mentes brilhantes do jornalismo e da publicidade. Em 1953, o publicitário Sylvio Bhering, que era diretor do jornal e da Rádio O Globo, decidiu criar o "Dia do Papai". A ideia inicial era fixar a data em 16 de agosto. Por quê? Porque era o dia de São Joaquim, o pai de Maria e avô de Jesus na tradição católica — um gancho perfeito para unir a fé e a família.

Mas a sacada de mestre (e a razão de ser no segundo domingo de agosto) foi pura estratégia de calendário e comércio. O comércio brasileiro tinha um "vazio" doloroso no meio do ano: o Dia das Mães agitava o mês de maio, o Dia dos Namorados movimentava junho, e depois... um deserto completo até o Dia das Crianças em outubro! Agosto era um mês considerado fraco para o varejo. Para completar o combo, fixar a data em um dia de semana atrapalhava as vendas e o almoço de família.

Resultado? A festa mudou para o segundo domingo de agosto, imitando a lógica do Dia das Mães (que é no segundo domingo de maio). Ficou perfeito: abriu espaço no orçamento das famílias, movimentou as lojas no segundo semestre e criou a tradição mais saborosa de agosto — aquele churrasco que junta todo mundo em volta da mesa.

No fim das contas, não importa se nasceu da argila babilônica, da admiração de uma filha norte-americana ou da astúcia de um publicitário carioca. O que importa é que a data virou o desculpa perfeita para abraçar aquele homem que nos ensinou a andar de bicicleta, deu conselhos questionáveis e insiste em contar as mesmas piadas velhas todos os anos!

Gu Ferrari


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Fontes de pesquisa:

Fundação Getulio Vargas (FGV), Arquivo Histórico do Jornal O Globo, Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos (Library of Congress) e artigos da Associação Brasileira de Marketing e Negócios.

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