Destaques do Dia

A Magia das Abóboras e o Verdadeiro Significado do Halloween (E sua Relação com o Dia dos Mortos!)

Quem nunca viu uma vitrine cheia de abóboras sorridentes, teias de aranha falsas e crianças fantasmagóricas pedindo doces em outubro? O Halloween virou febre no Brasil, e muita gente torce o nariz achando que é só "mais uma modinha americana". Mas segura essa vassoura de bruxa aí: a história por trás dessa festa é milenar, fascinante e tem muito mais a ver com a nossa relação com a vida e com a memória do que a gente imagina!

Vamos fazer uma viagem no tempo?

De Onde Veio Essa História Toda? (Muito Antes de Hollywood!)

Esqueça os filmes de terror modernos por um instante. O Halloween nasceu há mais de dois mil anos com os celtas, um povo antigo que habitava a região onde hoje fica a Irlanda, o Reino Unido e o norte da França.

Eles celebravam um festival chamado Samhain (pronuncia-se soun-in), que marcava o fim da colheita e o início do inverno — uma época escura, fria e associada à morte na natureza. Os celtas acreditavam que, na virada do dia 31 de outubro para 1º de novembro, o véu entre o mundo dos vivos e o dos mortos ficava bem fininho, permitindo que os espíritos (bons e maus) caminhassem pela Terra.

Para não serem reconhecidos pelos espíritos zombeteiros, o que os celtas faziam? Se fantasiavam com peles e cabeças de animais! Sim, amigo leitor, a origem das fantasias era puramente "camuflagem espiritual" para enganar os fantasmas.

E Por Que as Abóboras e os Doces?

  • As Lanternas: Originalmente, na Irlanda, eles não usavam abóboras (que são nativas das Américas), mas sim nabos e batatas! Eles esculpiam rostos feios neles e colocavam velas dentro para espantar os espíritos ruins. Quando os imigrantes irlandeses chegaram aos Estados Unidos no século XIX, descobriram que as abóboras locais eram muito maiores e mais fáceis de esculpir. Nasceu aí o clássico Jack-o'-lantern.

  • Guloseimas e Travessuras (Trick or Treat): Na Idade Média, na Europa, existia uma tradição chamada souling (alminhas). No Dia de Todos os Santos, os pobres iam de porta em porta pedindo pequenos bolos chamados soul cakes (bolos da alma). Em troca, eles prometiam rezar pelas almas dos familiares de quem lhes dava a comida. A tradição evoluiu para as crianças pedindo doces para não fazerem travessuras!

E o Dia dos Mortos no México? Tem Relação?

Muita gente confunde o Halloween com o Día de los Muertos mexicano, mas eles têm pegadas bem diferentes. Enquanto o Halloween foca no suspense, no medo lúdico e no disfarce, a festa mexicana (que acontece nos dias 1º e 2 de novembro) é uma celebração profundamente colorida, alegre e amorosa da vida dos antepassados.

No México, acredita-se que os mortos voltam para visitar suas famílias. Por isso, as casas e cemitérios se enchem de flores de cempasúchil, caveirinhas de açúcar sorridentes, música e a comida favorita de quem já se foi. É uma festa de saudade feliz, mostrando que a morte não precisa ser um tabu doloroso.

E o Halloween no Brasil?

No Brasil, a data tem ganhado cada vez mais espaço nas escolas de idiomas, festas temáticas e no comércio. E sabe de uma coisa? Não há mal nenhum nisso!

A gente pode não ter a tradição celta, mas nós adoramos uma boa festa, uma desculpa para brincar com a criatividade e, claro, comer doces. Além disso, o Brasil tentou até oficializar o "Dia do Saci" em 31 de outubro para valorizar o folclore nacional — o que é uma excelente ideia para unir o útil ao agradável: celebrar a nossa cultura enquanto nos divertimos com o imaginário do mundo todo.

No fim das contas, seja com fantasias criativas, seja lembrando com carinho de quem já partiu, o importante é celebrar a vida e manter a imaginação sempre viva.

Beijo da Gu

Arquivo Pessoal / Papo com a Gu