Quando a gente escuta a velha máxima de que "colhemos exatamente o que plantamos", o pensamento automático costuma voar para um canteiro de alfaces, para as mudinhas de tempero na janela da cozinha ou para aquela rosa que insiste em desabrochar na primavera. Mas, entre nós, o buraco é muito mais embaixo — ou melhor, muito mais dentro da gente. A nossa vida cotidiana é o verdadeiro solo fértil, e as sementes que espalhamos por aí não vêm em saquinhos de papel pardo comprados na floricultura do bairro; elas vêm disfarçadas de atitudes, palavras ditas no calor do momento, silêncios prolongados, escolhas diárias e, principalmente, da intenção que colocamos em cada passo que damos.
Pense bem sobre o que você tem regado na sua rotina nas últimas semanas. Se a gente passa os dias cultivando a reclamação, a pressa crônica, o julgamento alheio e a falta de paciência com as pequenas intempéries do destino, seria muita ingenuidade esperar que brotassem margaridas de paz e tranquilidade no quintal da nossa mente, não é mesmo? A lei da colheita é implacável, mas ela também é incrivelmente justa. Ela nos devolve exatamente o reflexo do que oferecemos ao mundo. Se espalhamos gentileza gratuita, se acolhemos o outro com um sorriso e se perdoamos as nossas próprias falhas com um pouco mais de brandura, o universo — ou a vida, chame como preferir — dá um jeito de nos devolver essa mesma energia em forma de abraços apertados, sincronicidades lindas e aquela sensação reconfortante de dever cumprido.
Por isso, vale a pena fazer aquela faxina mental e olhar com carinho para o nosso jardim interior. Que tal arrancar o mato alto da autocrítica exagerada e abrir espaço para novas sementes de coragem, leveza e alegria? Afinal, nunca é tarde demais para trocar as sementes de espinho por mudas de afeto. A colheita do amanhã começa exatamente no capricho que você tem com a terra do seu coração hoje. Cuide bem de você, plante o que faz a alma sorrir e prepare-se para saborear frutos doces, verdadeiros e cheios de significado.
Até a próxima!
