Olá, meus queridos leitores aqui do Papo com a Gu.
Olha, eu fiquei com uma pulga atrás da orelha esses dias. Vi um monte de gente falando que querem mudar o jeito que a gente vota para deputado. Fui atrás, conversei, me confundi toda, e agora vim aqui explicar pra vocês tim-tim por tim-tim, como se a gente estivesse tomando aquele cafezinho na minha cozinha. Sem fake news.
1. Como é hoje no Brasil?
Hoje é o voto proporcional. Você pode votar em qualquer candidato a deputado do seu estado inteiro.
O seu voto vai para o partido. No final, somam todos os votos do partido e dividem as cadeiras. Por isso que um candidato super famoso, um "puxador de voto" com 2 milhões de votos, acaba puxando junto mais 5, 6 deputados do mesmo partido que tiveram pouquinho voto.
2. O que é o tal voto distrital?
É o oposto. O Brasil seria recortado em pedacinhos no mapa. Cada pedacinho se chama distrito.
São 513 deputados federais. Então o Brasil teria 513 distritos com o mesmo número de eleitores cada.
Se você mora na Vila Mariana, em São Paulo, você só poderia votar nos candidatos da Vila Mariana. Quem ganhar ali, vira O deputado da Vila Mariana.
Tem também o distrital misto, que é o que mais falam em trazer pra cá. É metade assim, local, e metade como é hoje, pela lista do partido. É o modelo que a Alemanha usa e funciona bem lá.
3. Quem já faz assim?
Não é invenção nova.
Estados Unidos: Faz voto distrital puro há mais de 200 anos.
Alemanha: É o exemplo mais famoso do voto misto. Metade local, metade pela lista.
4. Quanto tempo demoraria pra fazer isso aqui?
Não se faz em dois dias na calada da noite.
Tem que mudar a Constituição, o que leva 1 a 2 anos. Desenhar os 513 distritos no mapa, o que o TSE levaria mais 2 a 3 anos. E ainda adaptar todo mundo.
Num cálculo honesto: levaria de 4 a 5 anos num cenário otimista, e de 8 a 10 anos num cenário real.
5. E por que eles querem mudar isso tão rápido? Qual o interesse real?
Aqui, meus amores, é que mora o pulo do gato e por que a gente tem que ficar de olho.Hoje, os partidos recebem 10 BILHÕES de reais do nosso imposto.Como assim, Gu? Assim:5 BILHÕES TODO ANO - Fundo Partidário: É a verba pra manter o partido aberto. Todo ano, tenha eleição ou não. Paga aluguel da sede, luz, salário de funcionário, advogados, viagem de presidente de partido, propaganda na TV.5 BILHÕES EM ANO ELEITORAL - Fundo Eleitoral: É a verba só pra fazer campanha. Paga marqueteiro, vídeo bonito, impulsionamento no Instagram e Facebook, jatinho, carro de som, santinho.E por que ter mais deputados interessa a eles? Porque a lei diz que quanto mais deputados o partido tem, maior a fatia desses 10 bilhões que ele leva.Com 10 bilhões dava pra pagar 6.169.031 salários mínimos de R$ 1.621,00. Dava pra construir hospital, creche, cuidar dos nossos idosos.Esse dinheiro é carimbado por lei, SÓ pra eles. Mesmo faltando dinheiro pra saúde, pra escola, pra aposentadoria, esses 10 bilhões não podem ser usados pra outra coisa.Então, quando falam em mudar a regra do voto, a gente tem que perguntar: é pra melhorar pra gente ou é pra garantir uma fatia maior desses 10 bilhões pra eles?
6. Pra finalizar e acabar com o nó na cabeça de todo mundo: 3 dúvidas que vocês mais me mandaram
Essa parte é a mais importante, meus amores, presta atenção aqui comigo.
DÚVIDA 1: Vou ter que viajar pra outra cidade pra votar?
NÃO! Fica tranquilo. Você continua votando na mesma escola, na mesma cidade de sempre, na sua zona eleitoral de sempre. O que muda não é ONDE você vota, é em QUEM você pode votar. Antes você podia votar em candidato do estado inteiro. No distrital, só nos candidatos da sua região. Quem vai ter que viajar muito pra fazer campanha são eles, não você. E como o voto é obrigatório, o TSE nunca poderia mandar você votar em outra cidade.
DÚVIDA 2: Acaba o deputado estadual e federal? Vira tudo um só?
Não, não acaba! Essa foi a minha dúvida também. Continuam existindo os dois, cada um com sua função.
O que muda é COMO a gente elege eles:
- Deputado Federal continua existindo, pra cuidar do Brasil em Brasília. Só que o Brasil seria recortado em 513 distritos.
- Deputado Estadual continua existindo, pra cuidar do seu estado. São Paulo, por exemplo, seria recortado em 94 distritos.
- Vereador continua existindo, pra cuidar da sua cidade.
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