Escrever Para Não Enlouquecer – O Silencioso e Poderoso Efeito Terapêutico das Nossas Próprias Palavras

 Na velocidade em que a vida anda, a nossa rotina costuma ser um lugar barulhento demais. São notificações apitando no celular a cada segundo, demandas do trabalho, cuidados com a família, boletos vencendo, redes sociais ditando como devemos viver... No meio desse turbilhão ensurdecedor de estímulos externos, onde é que fica guardada a nossa própria voz? Muitas vezes, nós nos perdemos de nós mesmas porque simplesmente não sobra espaço para processar o que sentimos. É justamente aí que entra uma das ferramentas mais antigas, terapêuticas e incrivelmente acessíveis do mundo para organizar a mente, esvaziar o peito e resgatar a nossa essência: a escrita afetiva, também conhecida como journaling. E tire essa ideia da cabeça: você não precisa ser uma escritora profissional ou uma acadêmica para desfrutar disso.

A psicologia comportamental e as neurociências têm estudado exaustivamente os impactos do ato físico de colocar as mãos no papel para registrar pensamentos. O veredito é unânime: quando tiramos uma angústia, um medo ou até uma grande alegria da nossa cabeça e a transformamos em palavras escritas, nós obrigamos o nosso cérebro a desacelerar e a organizar o caos interno. É como se tirássemos as roupas bagunçadas de dentro de um armário e as dobrássemos uma a uma. Esse processo dá contorno a sentimentos abstratos, gerando um alívio imediato da carga mental e nos oferecendo uma nova perspectiva sobre a realidade.

Escrever em um caderno é um ato de coragem e um dos maiores manifestos de amor-próprio que você pode fazer por si mesma. É abrir um confessionário seguro, sem filtros e totalmente livre de julgamentos externos, onde a única regra é ser verdadeira com o que se sente. Não se preocupe com erros de gramática, concordância ou se a letra está bonita. Apenas compre um caderno que te dê alegria ao olhar, pegue uma boa caneta, sente-se confortavelmente e comece a deixar o fluxo correr: escreva sobre as miudezas do seu dia, os seus desabafos secretos, as suas maiores gratidões ou aqueles sonhos antigos que você guardou na gaveta. Permita-se esse momento. Você vai ficar absolutamente impactada com a sabedoria e a força que a sua própria voz interna tem para lhe revelar.

Gu Ferrari

Fonte: University of Texas at Austin – Linha de pesquisa em Psicologia Expressiva liderada pelo Dr. James Pennebaker.

Comentários