Estar sozinha vs. Solitude: A arte de ser sua própria melhor companhia

Existe uma confusão linguística e emocional enorme entre "solidão" e "solitude". Muitas vezes, quando uma mulher madura escolhe passar um tempo consigo mesma, a sociedade olha com pena, como se faltasse algo. Mas a grande virada de chave da vida é entender que estar sozinha é uma condição geográfica, enquanto a solitude é um estado de espírito elevado e prazeroso.

A solidão é o vazio, é a dor de sentir-se desconectada ou rejeitada. Ela pode acontecer mesmo quando estamos cercadas de pessoas, em festas barulhentas ou em casamentos de fachada. Já a solitude é o oposto: é o preenchimento. É quando você escolhe a sua própria companhia porque se acha interessante o suficiente para isso. É o prazer de ler um livro, tomar um café (naquela xícara especial que contamos a história!) ou assistir a um dorama sem ter que negociar o controle remoto.

Na solitude, não há solidão, porque você está completa. É o momento em que a criatividade floresce. Para quem escreve, como nós, a solitude é o nosso escritório sagrado. É no silêncio da nossa própria presença que as ideias para o blog aparecem e que as tramas dos e-books se desenrolam. Sem o ruído das expectativas alheias, conseguimos ouvir a nossa própria voz, aquela que muitas vezes fica abafada pela correria do dia a dia.

Muitas mulheres têm medo do silêncio porque ele nos obriga a encarar nossas próprias questões. Mas, na maturidade, o silêncio torna-se um luxo. Descobrir que você pode ir ao cinema sozinha, viajar sozinha ou simplesmente jantar em um restaurante bacana sem a necessidade de um acompanhante é uma libertação sem volta. Você deixa de ser "metade" à espera de alguém e passa a ser uma unidade inteira que, se desejar, compartilha a vida com outros — mas não depende disso para existir.

Portanto, da próxima vez que alguém perguntar se você está "sozinha", responda com um sorriso: "Não, estou em excelente companhia. Estou praticando a solitude". É uma distinção que muda a forma como o mundo nos vê e, principalmente, como nós nos vemos no espelho. Ser sua melhor amiga é o relacionamento mais longo e importante que você terá na vida.

Gu Ferrari

Fontes de Pesquisa: "Solitude: A Return to the Self" de Anthony Storr, Conceitos de psicologia existencial de Paul Tillich, Artigos do Journal of Happiness Studies sobre autonomia na vida adulta.

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