Quantas taças de vinho o brasileiro toma por ano? (E a Gu está como?)

Falar de vinho no Brasil é falar de um mercado que amadureceu muito na última década. Segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo per capita do brasileiro ainda é considerado baixo se comparado aos nossos vizinhos argentinos ou aos europeus, girando em torno de 2,7 a 3 litros por ano. Isso dá, em média, pouco menos de 4 garrafas por habitante adulto anualmente. É um número que vem crescendo, especialmente após 2020, mas que ainda mostra que o vinho, por aqui, costuma ser uma bebida de "ocasião".

Mas vamos falar a verdade aqui no blog: a "Gu" aqui já confessou que está bem acima dessa média! E não há culpa nisso quando falamos de apreciação e não de excesso. Para quem é enófila de coração, o vinho não é apenas álcool; é cultura, é solo, é o trabalho de famílias que atravessam gerações. Estar acima da média brasileira significa que transformamos o cotidiano em algo um pouco mais festivo e sensorial.

O perfil do consumo no Brasil também mudou. Se antes o foco era quase exclusivo nos tintos pesados, hoje o brasileiro descobriu o frescor dos espumantes nacionais (que são premiadíssimos no mundo todo) e a leveza dos rosés para o nosso clima tropical. O vinho deixou de ser aquela bebida "intimidante" de terno e gravata para sentar à mesa com a gente na quarta-feira à noite, acompanhando uma pizza ou um bom queijo.

Para nós, mulheres 50+, o vinho tinto, em especial, traz o benefício dos polifenóis, como o resveratrol, que ajuda na saúde cardiovascular. Mas o maior benefício, cá entre nós, é o "despressurizar" do dia. É o ritual de girar a taça, observar as lágrimas do vinho descendo pelo cristal e sentir o aroma de frutas negras ou madeira. É um exercício de presença que poucos prazeres proporcionam.

Ser "acima da média" no consumo de vinho no Brasil é, muitas vezes, ser um explorador de rótulos. É trocar a quantidade pela qualidade, preferindo uma taça de um vinho excelente a várias de um mediano. É saber que cada garrafa aberta é uma história contada, uma viagem a uma região distante sem sair da nossa sala. No final das contas, o que importa não é o brinde estatístico, mas o prazer que ele traz.

Gu Ferrari

Fontes de Pesquisa: Relatório Anual da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), Dados da Ideal Consulting sobre o mercado brasileiro de vinhos, Artigos da Revista Adega sobre comportamento do consumidor.

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