Do K-Pop aos Doramas: O Que Existe por Trás da Paixão que Conquistou de Jovens a Adultos?

 Se você der uma espiada nas plataformas de streaming hoje, vai encontrar algo curioso: jovens e adultos, lado a lado, suspirando pelas mesmas produções vindas do outro lado do mundo. A Coreia do Sul invadiu o Ocidente com sua música milimetricamente coreografada (o K-pop) e suas séries viciantes (os K-dramas ou doramas). Mas engana-se quem pensa que isso é um modismo passageiro de adolescente; os adultos descobriram ali um verdadeiro refúgio.

O que explica esse magnetismo? Sociólogos e psicólogos dão o veredito: os doramas resgatam algo que o entretenimento ocidental acabou perdendo um pouco — o romantismo clássico, o desenvolvimento lento dos afetos e os valores familiares. Em um mundo onde tudo é excessivamente rápido, explícito e passageiro, a narrativa coreana aposta no poder do olhar, na delicadeza do cuidado e na intensidade do clichê bem feito. É um detox para a mente.

Para os jovens, o K-pop e as séries trazem uma estética impecável, cores vibrantes e um senso de comunidade gigante na internet. Já para os adultos, assistir a produções como Mr. Queen ou Reply 1988 funciona como uma válvula de escape da rotina estressante. É a chance de maratonar uma história leve, rir com um humor peculiar e chorar sem culpa com dramas profundos. Essa paixão nada mais é do que a busca universal por conexões humanas reais, temperadas com uma cultura rica, respeitosa e fascinante.


1. Qual a diferença entre Dorama e K-drama?

Embora muita gente use as duas palavras como sinônimos no Brasil, existe uma diferença de origem geográfica:

  • Dorama: É a pronúncia japonesa para a palavra "drama". Na teoria, o termo "dorama" deveria ser usado especificamente para as séries de TV produzidas no Japão (J-dramas).

  • K-drama: É a abreviação de Korean Drama, ou seja, refere-se exclusivamente às séries produzidas na Coreia do Sul.

Por que virou tudo "dorama"? Como as novelas orientais chegaram primeiro ao ocidente através das produções japonesas, o termo "dorama" acabou virando um termo geral (como "gilete" ou "bombril") para se referir a qualquer série asiática, incluindo as coreanas (K-dramas), chinesas (C-dramas) e taiwanesas (T-dramas).

2. Por que as mulheres solteiras querem um coreano na vida delas?

Esse desejo em massa é fortemente impulsionado pela forma como os homens coreanos são retratados nas telas dos K-dramas. O "homem ideal" das séries coreanas mexe com o imaginário feminino por alguns motivos específicos:

  • Romantismo à moda antiga: Eles prestam atenção nos pequenos detalhes. Seguram a bolsa, protegem a mulher da chuva, compram o remédio quando ela está doente e demonstram um cuidado genuíno que muitas vezes faz falta nos relacionamentos modernos ocidentais.

  • Parceiros emocionais: Os personagens masculinos choram, expressam sentimentos, conversam e pedem desculpas. Eles mostram uma vulnerabilidade que gera forte conexão e empatia com as mulheres.

  • Estética e autocuidado: O padrão de beleza coreano masculino (ligado ao conceito de flower boys) valoriza homens que se cuidam, usam cremes, andam impecavelmente vestidos e são vaidosos sem perder a masculinidade.

3. Será que na vida real é assim?

Não exatamente. A ficção coreana é tão idealizada quanto os contos de fadas de Hollywood.

Na vida real, a Coreia do Sul enfrenta os mesmos dilemas de qualquer sociedade — e alguns bem complexos:

  • Sociedade Patriarcal: A Coreia real ainda é uma sociedade profundamente conservadora e patriarcal. Muitos homens coreanos reais mantêm expectativas muito tradicionais de que a mulher deve cuidar exclusivamente da casa e dos filhos, deixando a carreira de lado.

  • Carga de Trabalho Extrema: O ritmo de vida por lá é frenético. Homens e mulheres trabalham ou estudam mais de 12 horas por dia. Sobra pouquíssimo tempo para os namorados reais fazerem aqueles passeios românticos e demorados que vemos nas telas.

  • A "Cultura das Aparências": Existe uma pressão social gigantesca por status, emprego em grandes empresas e padrões estéticos rígidos. Isso se reflete nos relacionamentos reais, onde a aprovação da família e a situação financeira pesam muito mais do que o romantismo puro.

Homens gentis e românticos existem em qualquer lugar do mundo (inclusive na Coreia!), mas os K-dramas vendem um roteiro perfeito escrito para fazer a audiência suspirar. Na vida real, eles são seres humanos comuns, com qualidades e defeitos.


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Gu Ferrari

Fonte de Pesquisa: Centro Cultural Coreano (KCC) & Estudos de Mídia da Korea Foundation.

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