Você já reparou que, quando os dias ficam mais cinzentos, mais frios e o sol parece ir embora mais cedo, o seu humor dá uma oscilada? Aquela vontade de sumir do mapa, um cansaço que não passa nem com dez horas de sono e uma melancolia que brota do nada... Pois saiba: isso tem nome, explicação científica e afeta milhares de pessoas. É o que a medicina chama de Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), popularmente conhecido como depressão de inverno.
Por que a falta de luz mexe com a nossa mente? A grande culpada por essa sensação não é a temperatura em si, mas sim a luminosidade. Quando a exposição à luz solar diminui, o nosso relógio biológico interno (o ritmo circadiano) fica confuso. Isso gera duas grandes alterações químicas no cérebro:Queda da Serotonina: O neurotransmissor do bem-estar e da felicidade despenca quando não tomamos sol.
Aumento da Melatonina: O hormônio do sono passa a ser produzido em excesso durante o dia, deixando a gente com aquela sensação de lentidão e fadiga constante.
E no Brasil, isso existe? Essa é uma excelente pergunta! Nos países nórdicos ou no extremo norte do planeta, onde o inverno tem noites que duram quase o dia todo, o TAS é severo e muito comum. No Brasil, por sermos um país tropical, o transtorno em sua forma mais grave é raro. Porém, nas regiões Sul e Sudeste — onde o inverno é mais marcado, os dias encurtam visivelmente e o céu fica cinzento por semanas —, muitas pessoas experimentam o chamado "Winter Blues" (uma versão mais leve da apatia invernal).
Como espantar a melancolia do frio? Se você se identificou, pequenas mudanças na rotina ajudam muito a reequilibrar a química do corpo:
Busque o sol: Logo pela manhã, abra as janelas. Se o sol aparecer, tire 15 minutinhos para tomar um ar e receber a luz diretamente na pele.
Movimente-se: Exercícios físicos liberam endorfina e ajudam a compensar a queda de serotonina.
Alimentação consciente: Cuidado com o excesso de açúcar e carboidratos simples; eles dão uma energia rápida que passa logo, piorando o cansaço depois.
Se o desânimo for profundo e persistente, nunca hesite em buscar ajuda profissional (psicólogos e psiquiatras). Cuidar da mente é o passo mais bonito que você pode dar por si mesma em qualquer estação do ano.
Cuide-se.
Gu Ferrari
Fontes de referência: Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), e Mayo Clinic.

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Beijo da Gu