Por que a idade incomoda tanto as pessoas? (A física quântica dos aniversários)

 Se tem uma coisa que o ser humano não sabe lidar muito bem, é com o ponteiro do relógio andando para a frente. Aos 15 anos, a gente quer ter 18 para entrar na balada sem mentir o ano de nascimento. Aos 20, comemora cada aniversário com festa de três dias. Aos 30, surge o primeiro "opa, pera aí, cadê o freio?". Aos 40, a gente começa a fingir que não ouviu quando perguntam a idade. E daí para a frente, viramos verdadeiros acrobatas numéricos. Mas afinal de contas, por que o acúmulo de primaveras causa tanto chilique social?

Primeiro, precisamos culpar a tal da "linha do tempo social". Desde pequenos, vendem pra gente um script meio ultrapassado: com 20 você se forma, com 25 casa, com 30 fica rico, com 40 se aposenta num rancho no interior plantando orquídeas. Quando a vida real chega metendo os pés na porta — mostrando que aos 40 você pode estar mudando de carreira, aos 50 descobrindo um novo amor e aos 60 começando um blog —, a ansiedade bate. O incômodo com a idade raramente é sobre o número de velinhas no bolo; é sobre a cobrança invisível do "já deveria ter feito".

Além disso, vivemos em uma cultura que cultua a juventude como se ela fosse um selo de validade. As rugas, que nada mais são do que marcas d’água das nossas melhores gargalhadas e de alguns perrengues superados, viram inimigas públicas número um no mercado publicitário. Esquece-se de que envelhecer é a única forma conhecida de não morrer jovem! A maturidade traz uma liberdade inacreditável: o poder de dizer "não", a diminuição drástica da necessidade de agradar os outros e uma paz de espírito que nenhum creme anti-idade caríssimo consegue engarrafar. O segredo não é lutar contra o tempo, mas fazer dele nosso melhor aliado de conversa.

Gu Ferrari

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Fontes de pesquisa: Estudo sobre Psicologia do Envelhecimento e Cronologia Social da Universidade de São Paulo (USP); Artigo sobre Percepção Temporal e Qualidade de Vida da Associação Americana de Psicologia (APA).

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