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Já parou pra pensar que nos dias atuais o individualismo reina absoluto?

As Redes Sociais nos deram milhares de amigos e seguidores, mas nos privaram do contato real, do olho no olho...
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Vivo conectada sim, mas procuro ter mais horas de vida real que virtual.
Não abandono os amigos reais em troca dos amigos virtuais, busco maneiras de ser útil com aqueles que me cercam .
Individualismo é quase sinônimo de egoísmo.
Precisamos de gente.
O Coletivo sempre me atraiu.
Durante um voo , li um artigo da psicanalista Maria Homem (sim eu pesquiso e leio além de temas sobre café e vinho) e me questionei sobre o exemplo de vida que estamos dando ás novas gerações.
Para refletir mesmo.
“Ainda não sabemos mensurar o quanto estamos afundados nesse mosaico de imagens ideais, que não existem” Maria Homem

Na contracorrente das redes sociais, que reforçam nosso individualismo, a psicanalista Maria Homem propõe mais conversa e um olhar para o coletivo
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A casa da psicanalista Maria Homem fica perto de uma movimentada rua da zona oeste de São Paulo e ainda assim parece estar fora da cidade. No alto de uma colina, tem um jardim acolhedor e janelas para o verde, elementos que evocam tranquilidade em meio ao ritmo acelerado da capital paulista. A casa, como qualquer outra, ajuda a contar a história de sua moradora. Mas não só. Serve como metáfora de como podemos nos manter protegidos e calmos, ainda que conectados a uma rede intensa. É assim, com um pé dentro das redes sociais – suas contas no YouTube (51 mil inscritos), Facebook (36 mil) e Instagram (13,5 mil) são tocadas por uma equipe e servem para a divulgação de seu trabalho – e outro fora, que Maria nos ajuda a entender questões que se tornam cada vez mais comuns no consultório que mantém naquela mesma casa. Posts, likes e compartilhamentos têm mudado a forma como construímos nossos ideais de existência – aquilo que queremos ser, construir e vivenciar

“Nas redes, produzimos realidades imaginárias, onde inventamos um personagem para nós mesmos” Maria Homem, psicanalista
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Até recentemente, essa invenção de nós mesmos se dava a partir de experiências vividas e de referências como os meios de comunicação, a arte e a nossa própria família, em um processo que seguia o ritmo natural da vida. A trajetória de Maria, hoje com 49 anos, ilustra bem esse encadeamento do mundo em sua fase off-line: nascida e criada em São Paulo, filha mais velha de uma advogada descendente de italianos e de um administrador de empresas português,ela se formou em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) depois de cogitar fazer os cursos de física, medicina e direito. Sem acesso às milhões de referências hoje à disposição a partir de uma busca na internet, suas escolhas tiveram que contar com tato e certa intimidade com a incerteza. “Fui à minha primeira análise, ainda nos tempos de faculdade, sem saber ao certo o que queria fazer e, pela psicanálise, fui levada a outros lugares.Filosofia, literatura, ciências sociais, cinema… tudo isso me realiza”, diz. Depois da graduação, 
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Sua afirmação ecoa uma pesquisa de dois anos atrás feita pela Aafprs (associação americana de cirurgia plástica facial e reconstrutiva). Segundo o estudo, 55% dos cirurgiões relataram ter ouvido pacientes requisitando procedimentos para melhorar a aparência em selfies, um aumento de 13% em relação ao ano anterior. Por outro lado, nossos perfis virtuais também demandam opiniões, fotos, respostas e posicionamentos constantes. Pode parecer incrível hoje, mas nem sempre foi preciso se manifestar publicamente a cada cinco minutos. “Nas redes,estamos roteirizando, sendo diretores de set,câmera e editores.Ou seja, produzimos realidades imaginárias, onde inventamos um personagem para nós mesmos. E em alguns casos ele se torna o protagonista”, afirma.
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Tão preocupados em ocupar essa tela com o que há de mais novo, impactante ou inteligente, não nos ouvimos de verdade e abrimos espaço para lógicas binárias. Esquecemos, assim, que toda amplitude e encantamento do mundo está entre seus dois polos, e não apenas nos extremos. “Será que a gente pode se encontrar, se ouvir e não se odiar?”, questiona Maria. “Muita gente não dá conta de perguntas sem respostas, de tanta complexidade, e por isso acaba criando narrativas simples, que dão um sentido para aquela vida”, acredita. A discordância saudável em torno de temas complexos é um dos aspectos do recém-lançado livro Coisa de menina – Uma conversa sobre gênero sexualidade, maternidade e feminino (ed. Papirus 7 Mares), escrito em parceria com o também psicanalista Contardo Calligaris. “Maria não defende cegamente seus ideais. É uma das raríssimas pessoas hoje no Brasil que se interessam por escutar o outro. Além disso, ela não acredita em argumentos de autoridade. Para Maria, vale tanto o que diz Freud, Lacan, ou qualquer outra pessoa. Todo mundo é alguém a ser escutado”, elogia o colega. FaLa ComiGo O gosto pela conversa e suas trocas está por trás de praticamente tudo o que Maria faz. A paixão por ensinar, por exemplo, teve início nas brincadeiras de criança com os dois irmãos mais novos e permanece até hoje. “Ela é uma leoa na sala de aula. Instigante, provocativa, exigente e rigorosa”, atesta Rubens Fernandes Junior, professor e diretor de comunicação da Faap, onde Maria dá aula há cerca de 20 anos. Quem ouve Maria em sala, em vídeos ou em palestras reforça a esperança de que as conversas que ela tanto preza podem, sim, ser a nossa melhor saída para todo tipo de dilema. “Acredito profundamente que, falando, sempre chegamos a um lugar desconhecido, revelações acontecem”, diz ela. Esforços coletivos serão os únicos capazes de endereçar os grandes impasses que temos adiante, como a desigualdade social ou as mudanças climáticas. Pode parecer difícil diante de uma sociedade que prega, a todo instante, a ideia de que cada um deve se virar sozinho ou viver apenas entre aqueles que pensam de forma semelhante, mas Maria nos ajuda a enxergar um caminho:
“Se a gente conseguir ultrapassar essas questões que atrapalham, como a ilusão do individualismo ou a perseguição infrutífera do que a imagem instagramável manda, talvez consigamos fazer um encontro simples, natural e de verdade com nós mesmos e com os outros”.
 A partir daí, poderemos conversar. 

Não esqueça de viver a vida real.

Beijo da Gu

Arquivo Pessoal/www.voegol.com.br/pt/servicos-site/Magazine/GOLREVISTA

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