A Certidão de Nascimento da Metrópole

São Paulo: De uma Missa no Planalto à Capital do Mundo

Hoje a nossa cidade acorda em festa, mas você já parou para imaginar como tudo começou naquele 25 de janeiro de 1554? Não havia asfalto, nem prédios espelhados, apenas o encontro dos rios Anhangabaú e Tamanduateí. Foi no topo de uma colina que um grupo de jesuítas, entre eles Manuel da Nóbrega e o jovem José de Anchieta, fundou um colégio de taipa. A data foi escolhida a dedo: o dia da conversão do Apóstolo Paulo, o que deu nome à nossa missão e, futuramente, à nossa metrópole.

O Pátio do Colégio ainda está lá, firme, como um lembrete de que São Paulo nasceu de um desejo de educar e catequizar, crescendo com uma vocação nata para o encontro de gentes. Durante séculos, fomos apenas uma vila modesta, servindo de ponto de partida para os Bandeirantes que desbravaram o interior do Brasil. Foi esse espírito de "ir além" que moldou o DNA resiliente que todo paulistano carrega até hoje.

A grande virada veio com o ciclo do café, o "ouro negro" que financiou a nossa primeira modernização. A riqueza que descia das fazendas para o porto de Santos passava por aqui, trazendo a estrada de ferro, a iluminação a gás e, claro, os primeiros grandes casarões da Avenida Paulista. Foi nessa época que São Paulo deixou de ser uma vila para se tornar a cidade que mais crescia no mundo, um verdadeiro ímã de oportunidades.

Mas a alma de São Paulo não é feita apenas de concreto e dinheiro; ela é feita de sotaques. Com a chegada maciça de imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, japoneses e, mais tarde, nossos irmãos nordestinos, a cidade se tornou um mosaico cultural sem igual. Cada grupo trouxe uma receita, uma crença e um jeito de trabalhar, transformando a "Terra da Garoa" em um caldeirão de diversidade que não para de ferver.

Celebrar o 25 de janeiro é honrar essa história de superação. Se hoje somos o coração econômico e cultural da América Latina, é porque aprendemos a abraçar o caos e transformá-lo em criatividade. Como pedagoga, vejo a cidade como uma grande escola a céu aberto, onde cada esquina ensina algo novo sobre convivência e resiliência.

Para quem, como eu, já viveu mais de cinco décadas por aqui, o aniversário de São Paulo é um momento de olhar para o retrovisor com carinho. Vimos a cidade se verticalizar, os bondes sumirem e as ciclovias aparecerem. Vimos a cultura pulsar no MASP e o Carnaval ocupar o Anhembi. Mudamos nós e mudou a cidade, mas o amor por esse chão continua intacto.

Que possamos celebrar não apenas os monumentos, mas as pessoas que fazem o dia a dia dessa selva de pedra ser mais humano. São Paulo é difícil, é rápida, é intensa, mas é o lugar onde o mundo se encontra. Parabéns para a minha, para a sua, para a nossa São Paulo!

Gu Ferrari

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