Geração NOLT: Para Quem o "Hoje" se Perdeu, Independente da Idade.

Nós, que já vivemos algumas primaveras, somos peritas em classificações: Geração X, Baby Boomers, Millennials… Mas o mundo está em constante mutação, e as linhas que definem quem somos, baseadas apenas na data de nascimento, estão ficando borradas. Hoje, quero apresentar um novo "rótulo" – ou, melhor, uma nova lente para enxergar um comportamento que transcende a idade: a Geração NOLT.

A Geração NOLT não se define por 40, 50, 60+ ou qualquer outra faixa etária. Ela se define por uma sensação: a do Notice of Lack of Today (Aviso de Falta de Hoje). É o indivíduo, de qualquer idade adulta, que se sente desconectado do presente, esmagado pela avalanche de informações, preocupações e expectativas, a ponto de o dia parecer escorrer por entre os dedos sem ser verdadeiramente vivido.

Pense bem: você conhece jovens de 20 e poucos anos que já vivem em modo automático, olhando para um futuro distante ou presos a um passado digital idealizado? E conhece mulheres de 60 que vivem cada instante com uma intensidade e presença invejáveis? A Geração NOLT, portanto, não é sobre a idade do corpo, mas sobre a "idade" da alma e da mente. É sobre quem, independentemente de ter rugas ou não, está com o "hoje" em falta.

O jovem que passa horas rolando feeds infinitos, consumindo conteúdo sem processá-lo, está tão em NOLT quanto a pessoa mais velha que se prende em um ciclo de preocupações repetitivas sobre o passado ou o futuro, sem saborear o café da manhã. Ambos estão perdendo a preciosidade do agora, o único tempo que realmente possuímos.

Para nós, que já temos a bagagem da vida, a Geração NOLT surge como um alerta. É a percepção de que, após tantos anos correndo atrás de metas, podemos estar perdendo a chance de desfrutar da paisagem conquistada. É um convite para reavaliar se a pressa e a distração digital que afetam as novas gerações também não nos contaminaram de alguma forma, mesmo que com outras roupagens.

A beleza de não se classificar mais pelas décadas vividas é a liberdade de redefinir o que significa "viver bem". E viver bem, para a "não-geração" NOLT – ou seja, aqueles que se recusam a aceitar esse aviso de falta – significa intencionalidade. Significa pausar, respirar, sentir o gosto, ouvir o som, olhar a paisagem, mesmo que seja a do seu quintal. É estar presente, plenamente, no seu próprio tempo.

Então, pergunto: você se sente parte da Geração NOLT? Ou é daquela que, desafiando todas as idades, insiste em preencher o "hoje" com significado e presença? O desafio é individual, a recompensa, universal: a plenitude de uma vida verdadeiramente vivida.

Gu Ferrari

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