O Dilema do Cardápio de 70 Itens: Menos é Mais

Você já entrou em um restaurante, abriu o cardápio e sentiu uma leve tontura? São 70 opções de pratos, do sushi ao strogonoff. Minha primeira reação é um alerta: quem faz tudo, dificilmente é especialista em algo. Como garantir que o peixe está fresco, o molho foi apurado e a técnica é precisa com tanto estoque girando?

Essa "inflação de opções" não fica só na gastronomia; ela transborda para a vida e para as redes sociais. Vejo pessoas que se dizem especialistas em dez áreas distintas, gurus de tudo e mentores de todos. No fundo, é uma vaidade imensa em querer ocupar todos os espaços, sem ter a profundidade necessária em nenhum deles.

Ser um "cardápio extenso" cansa a alma e confunde quem está do outro lado. A gente acaba entregando um serviço ou um afeto "congelado", sem aquele sabor autêntico de quem realmente domina o que faz. É o famoso "pato": nada, corre e voa, mas não faz nada disso com excelência.

A maturidade (especialmente essa fase maravilhosa dos 50+) nos ensina o valor da curadoria. Não precisamos provar que sabemos tudo. A beleza está em ser um cardápio de, no máximo, dois ou três itens, mas que sejam os melhores que alguém já provou na vida.

Escolher ser especialista em poucas coisas exige coragem. Significa dizer "não" para o resto para dizer um "sim" vibrante para o que realmente importa. É preferível ser o melhor prato feito da cidade do que um buffet internacional sem tempero.

Que tal a gente começar a riscar o que está sobrando no nosso menu pessoal? Vamos focar no que faz nosso olho brilhar e no que realmente sabemos entregar com maestria. A vida fica mais leve quando a gente para de tentar ser tudo para todos.

No final das contas, a autenticidade é um prato que se serve fresco. Menos vaidade de catálogo e mais sabor de verdade. Vamos simplificar o cardápio da vida hoje?

Beijo da Gu Ferrari

Comentários