O Enclausuramento das Ideias: O Perigo de ser Monotema

É exaustivo, não é? Todos conhecemos alguém que parece viver em um "looping" eterno. Seja política, uma doença de estimação, o sucesso do neto ou um trauma do passado, o assunto é sempre o mesmo. Dia após dia, ano após ano, a pessoa se torna uma vitrine de um único produto.

O grande problema do monotema não é apenas o tédio que ele gera no interlocutor, mas o mofo que ele cria na própria mente. Quem só fala de uma coisa, só pensa em uma coisa. E quem só pensa em uma coisa, acredita piamente que detém a razão absoluta sobre aquele universo minúsculo.

A vida é um banquete de possibilidades, mas o monotemático insiste em comer apenas o couvert. É preciso coragem para admitir que não sabemos tudo e que o mundo do outro também é interessante. A pluralidade é o que nos mantém jovens e intelectualmente vibrantes.

Quando nos fechamos em um único tema, perdemos a capacidade de escuta. A conversa deixa de ser uma troca e vira um monólogo de autoafirmação. E convenhamos: ninguém aguenta ser plateia de um show que nunca muda o repertório.

A sugestão aqui é a "ventilação mental". Que tal ler sobre algo que você detesta? Ou ouvir alguém que pensa o oposto de você? O choque de realidade é o melhor remédio contra a arrogância de quem acha que o mundo gira em torno do seu assunto preferido.

Pluralize-se. Abra as janelas da sua mente e deixe novas brisas entrarem. Ser interessante não é saber tudo sobre algo, mas ter curiosidade sobre tudo. A maturidade nos dá a licença para sermos multifacetados; não desperdice isso sendo um disco riscado.

Afinal, a beleza do encontro está no inesperado. Se eu já sei exatamente o que você vai dizer antes de abrir a boca, a conexão se perde. Vamos mudar o disco?

Gu Ferrari

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