Ah, o Carnaval! Essa explosão de cores, ritmos e, claro, as queridas máscaras. Elas nos permitem ser quem quisermos por alguns dias, flutuar entre confetes e serpentinas, e esquecer um pouco a seriedade da vida. Mas, cá entre nós, já repararam que para algumas pessoas a folia parece durar os 365 dias do ano? Pois é, tem gente que se afeiçoa tanto à fantasia que esquece que o bloco da vida real tem outro enredo e, principalmente, outro ritmo!
É fascinante observar essa turma que vive em perpétuo "Carnaval da Falsidade". Para eles, cada interação é um palco, cada conversa um desfile e cada promessa uma nota da bateria que, vamos combinar, nunca desafina... porque nunca é cumprida. São mestres em criar personagens impecáveis, com falas ensaiadas, sorrisos estrategicamente posicionados e uma habilidade ímpar de sumir no meio da multidão quando a conta da maturidade chega para ser paga.E o pior é que, nessa eterna folia, o roteiro é quase sempre o mesmo: a máscara da "boa-praça" que fala mal de todo mundo pelas costas, o "amigo fiel" que some na hora do aperto, ou a "pessoa supercomprometida" que vive dando desculpas mirabolantes. A criatividade para inventar motivos é inversamente proporcional à vontade de realmente resolver o que precisa ser feito. Afinal, no Carnaval, quem se preocupa com boletos ou prazos?
Mas a vida real, meus caros, não tem abadá que esconda a falta de caráter, nem purpurina que disfarce a irresponsabilidade. O ritmo do adulto que honra seus compromissos é outro. Não é o samba enredo frenético, mas a batida constante e firme de quem constrói relações de verdade, cumpre o que promete e entende que a honestidade, mesmo que não seja tão glamurosa quanto um carro alegórico, é o que sustenta qualquer ponte.
É claro que a vida pode e deve ter leveza, alegria e, sim, seus momentos de fantasia. Mas a diferença crucial está em saber quando tirar a máscara. O amadurecimento nos ensina que ser um ser humano melhor não é sobre parecer perfeito, mas sobre ser autêntico. É sobre admitir erros, pedir desculpas e, principalmente, aprender com as quedas, e não apenas disfarçá-las com mais glitter.
Enquanto uns se perdem no brilho efêmero da superficialidade, outros estão na construção do seu próprio samba-enredo: aquele que fala de trabalho duro, de relacionamentos verdadeiros e da constante busca por evolução. Pode não render tantos likes, mas rende algo muito mais valioso: paz de espírito e o respeito de quem realmente importa – começando por si mesmo.
Então, sim, vamos pular o Carnaval com toda a alegria que ele merece! Vamos extravasar, cantar as marchinhas e esquecer um pouco as preocupações. Mas, quando a quarta-feira de cinzas chegar, que as fantasias voltem para o armário. Que possamos abraçar a realidade com a maturidade que ela exige, e lembrar que o maior luxo é ser quem se é, sem máscaras ou personagens, e com a leveza de quem sabe que a verdadeira folia está em viver com integridade.
Afinal, a vida adulta tem seu próprio compasso: um ritmo que exige responsabilidade, empatia e a coragem de ser quem somos de verdade, mesmo sem confete. Longe de mim atrapalhar as marchinhas, mas o samba da vida real tem outro som, outro balanço e, felizmente, é muito mais gratificante.

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Leio e respondo.
Beijo da Gu