Vivemos em uma era de vitrines impecáveis. Ao caminharmos por corredores de decoração ou navegarmos pelas redes sociais, somos frequentemente seduzidos pelas plantas artificiais. Elas são, inegavelmente, lindas. Possuem uma simetria que a natureza raramente alcança, não perdem a cor sob o sol forte e mantêm-se estáticas, ignorando a passagem do tempo e a negligência do dono da casa.
Essas peças de silicone e seda não exigem nada. Elas não pedem água, não reclamam de um canto escuro e não precisam ser podadas. No entanto, há um preço para essa perfeição imóvel: elas são incapazes de perfumar um ambiente. Por mais que tentem mimetizar a vida, falta-lhes o essencial. Elas não trocam oxigênio, não renovam o ar e, por mais belas que sejam, jamais darão um fruto ou uma flor que não tenha sido colada ali por mãos humanas.No convívio social, encontramos o equivalente humano a essas folhagens de plástico. São pessoas "perfeitas", cujas vidas parecem editadas com filtros permanentes. Elas nunca erram, nunca transpiram, nunca demonstram vulnerabilidade. São impecáveis no trato, mas, ao final de uma conversa, percebemos que nada foi plantado. São presenças vazias que, embora preencham o espaço visual, não deixam o rastro da renovação ou da inspiração.
A pessoa "artificial" não precisa de cuidado porque não tem o que perder. Ela não se arrisca a crescer, pois o crescimento exige romper a casca, e o romper dói. Elas não se deixam afetar pelas estações da vida. Mantêm a mesma fachada falsa enquanto o mundo ao redor clama por autenticidade. Estar perto delas é como tocar em uma pétala de veludo sintético: é macio, mas é frio. Não há vida pulsando ali.
Em contrapartida, as plantas vivas são exigentes. Elas demandam atenção, tempo e uma observação cuidadosa. Elas sentem a sede, a falta de luz e o ataque das pragas. Às vezes, suas folhas amarelam e caem, deixando o chão sujo. Elas exigem que as mãos de quem cuida se sujem de terra. Viver, em sua essência biológica e espiritual, requer manutenção constante, pois a vida é um processo dinâmico de troca.
Ter uma planta viva em casa — ou um relacionamento real em nossa vida — é aceitar a imperfeição em troca da alma. Uma planta real perfuma a sala após a chuva; ela nos surpreende com um broto novo em uma manhã de segunda-feira. Ela nos ensina sobre a paciência de esperar a colheita e sobre a beleza de um fruto que, embora pequeno ou torto, é doce e real.
Pessoas vivas também são assim: por vezes "desfolhadas", por vezes em plena floração. Elas renovam o ambiente porque trazem oxigênio novo para as ideias. Elas nos desafiam a cuidar, a ouvir e a zelar. Diferente das personalidades artificiais, as pessoas de verdade deixam marcas. Elas ocupam o espaço com sua essência, e não apenas com sua estética. Elas nos lembram que viver requer presença.
Muitos preferem o artificial pelo conforto da baixa manutenção. É mais fácil lidar com o que não exige nada de nós. Mas uma casa cheia de plástico é uma casa silenciosa e estéril. Da mesma forma, uma vida cercada de aparências vazias é uma vida solitária. O cuidado que dedicamos a algo vivo é, na verdade, o que nos mantém humanos e conectados com o ciclo da existência.
A maturidade nos ensina que o valor de um ser não está na sua durabilidade impecável, mas na sua capacidade de se transformar. A planta viva morre um pouco a cada inverno para renascer na primavera. Ela se adapta, se inclina em direção à luz e se deixa podar para ganhar força. Essa "manutenção" não é um fardo, é o próprio mecanismo da evolução.
Portanto, deixo a pergunta para o seu espelho e para o seu jardim interior: Que tipo de planta é você? Você é aquela peça de decoração que não incomoda ninguém, mas também não alimenta ninguém? Ou você é aquela vida vibrante, que às vezes precisa de um pouco mais de água e atenção, mas que é capaz de florescer, dar frutos e transformar o ar de quem atravessa o seu caminho?

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Leio e respondo.
Beijo da Gu