22 de Abril: O "Descobrimento" ou o Encontro de Mundos?

 Muita gente esquece do dia 22 de abril porque ele vem logo depois do feriado, mas foi nesta data, em 1500, que as 13 caravelas de Cabral avistaram o Monte Pascoal na Bahia. Não foi um erro de rota, como se dizia antigamente; os portugueses já desconfiavam que havia muita terra por aqui.

A curiosidade gastronômica: imagine o choque cultural! Os portugueses ofereceram vinho e pão aos indígenas, que detestaram o sabor. Por outro lado, os europeus ficaram fascinados com as redes de dormir e a higiene dos nativos. Foi o maior "choque de gestão" da história mundial.

A famosa Carta de Pero Vaz de Caminha é considerada a certidão de nascimento do Brasil. Nela, ele descreve a terra como um paraíso onde "em se plantando, tudo dá". Ele só esqueceu de mencionar que o solo brasileiro exigiria muito suor e café para prosperar!

Hoje, os historiadores preferem o termo "encontro de culturas" ou "achamento". Afinal, não se "descobre" um lugar onde já vivem milhões de pessoas. É uma mudança de perspectiva importante para entendermos nossa complexidade.

Desde o primeiro dia, o brasileiro precisa aprender a lidar com o novo e a misturar culturas diferentes para criar algo único. Somos o resultado dessa mistura improvável de Portugal, África e América Nativa.

O dia 22 não é feriado, o que é uma pena, pois marca o início oficial da nossa história documentada. É um dia de olhar para o mar e pensar no tamanho da coragem daqueles marinheiros e na surpresa daqueles que viram gigantes de madeira flutuando no oceano.

É interessante notar que Cabral ficou apenas dez dias em solo brasileiro antes de seguir viagem para as Índias. Ele não tinha ideia de que aquele "puxadinho" no caminho se tornaria uma das maiores economias e culturas do planeta.

Que tal celebrar o dia 22 com um café bem brasileiro, lembrando que nossa história é feita de chegadas, partidas e muita mistura? O Brasil começou aqui, em uma quarta-feira de sol na Bahia.

Gu Ferrari

Fontes: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), Obra "A Carta" de Pero Vaz de Caminha, Historiografia de Boris Fausto.

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