Se o mundo dos vinhos fosse um reino, a Cabernet Sauvignon certamente ostentaria a coroa. Ela é a uva tinta mais plantada do planeta e a queridinha de dez entre dez apaixonados por um bom tinto encorpado. Mas você sabia que esse gigante dos vinhedos é, na verdade, um "filho" acidental da natureza?
Até o final dos anos 1990, ninguém sabia ao certo de onde vinha a Cabernet Sauvignon. Foi a Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis) que desvendou o mistério através de testes de DNA: ela é o resultado de um cruzamento espontâneo entre a uva tinta Cabernet Franc e a uva branca Sauvignon Blanc, ocorrido provavelmente no século XVII em Bordeaux, na França. É por isso que ela herdou o vigor estruturado do pai (Franc) e o frescor aromático da mãe (Sauvignon).
O Segredo do "Aroma de Pimentão"
Sabe aquele fundinho herbáceo, que lembra pimentão verde ou folhas de tomate, que você sente ao girar a taça? Não é defeito, é química pura! A Cabernet Sauvignon é riquíssima em um composto orgânico chamado pirazina. Quando as uvas são colhidas um pouco mais jovens ou em climas mais frios, a pirazina se destaca. Em climas quentes, ela amadurece e se transforma em notas deliciosas de groselha preta, fumo, baunilha e especiarias.
Casca Grossa e Longevidade
A grande magia dessa uva está na sua pele. A casca da Cabernet Sauvignon é grossa e resistente. Para os viticultores, isso é uma bênção contra pragas. Para nós, no copo, significa uma profusão de taninos e polifenóis (aquela substância que dá a sensação de boca seca, mas que também protege o coração). É essa estrutura robusta que faz com que os vinhos dessa casta envelheçam tão bem, ganhando complexidade e maciez com o passar dos anos na garrafa.
Gu Ferrari
Fonte de pesquisa: UC Davis Department of Viticulture and Enology / Oxford Companion to Wine (Jancis Robinson).

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Beijo da Gu