A violência contra a mulher não é um problema doméstico ou "de casal"; é uma ferida aberta na nossa sociedade que sangra diariamente. Em São Paulo, os dados de 2025 revelaram uma realidade brutal: batemos o recorde histórico com 266 casos de feminicídio, o que significa que uma mulher foi assassinada a cada 33 horas em nosso estado. Esse aumento de mais de 8% em relação ao ano anterior nos mostra que, apesar das leis, o ódio de gênero continua avançando dentro dos lares paulistas.
No cenário global, o Brasil ocupa a triste 5ª posição no ranking mundial de feminicídios, ficando atrás apenas de países com contextos de guerra ou crises humanitárias extremas. Essa estatística não é apenas um número; são mães, filhas, pedagogas, escritoras e profissionais que tiveram suas biografias interrompidas por quem prometia amá-las. Atingimos a marca de quatro mulheres mortas por dia no país em 2025, o maior índice desde que o crime foi tipificado em 2015.
Identificar um relacionamento abusivo é o primeiro passo para evitar que ele se torne uma estatística de morte. O abuso raramente começa com uma agressão física; ele se infiltra de forma sutil através do controle excessivo, do isolamento da vítima de seus amigos e familiares, e de críticas constantes que destroem a autoestima. Se você sente medo de expressar sua opinião ou se precisa "pisar em ovos" para não irritar o parceiro, o sinal de alerta já deve estar aceso.
Como estender a mão para alguém que você suspeita estar em perigo? O acolhimento deve ser feito sem julgamentos ou pressões, pois a mulher em situação de violência muitas vezes se sente culpada ou envergonhada. Diga frases como "eu estou aqui por você" e "você não tem culpa do que está acontecendo". O papel de quem ajuda não é decidir pela vítima, mas oferecer uma rede de segurança para que ela sinta que tem para onde ir quando decidir sair.
A denúncia é uma ferramenta de proteção fundamental, e não precisa ser feita apenas pela vítima. Qualquer pessoa que presencie ou tenha conhecimento de agressões pode e deve acionar as autoridades. Em São Paulo, além das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), temos a Casa da Mulher Brasileira, que oferece atendimento integral e multidisciplinar. Ignorar um pedido de socorro ou um "barulho estranho" no vizinho pode custar uma vida que não terá volta.
Os canais de ajuda estão disponíveis 24 horas por dia. O Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher, que oferece orientações e registra denúncias de forma anônima. Em casos de emergência e agressão imediata, o número é o 190 da Polícia Militar. Em São Paulo, também é possível buscar ajuda pelo WhatsApp do SP156 no número (11) 3230-5156, um canal direto e discreto para quem não pode falar ao telefone no momento.
É preciso entender que o ciclo da violência possui fases: a tensão, a explosão e a "lua de mel", onde o agressor pede perdão e promete mudar. Não se engane com as promessas vazias; sem intervenção e proteção legal, a violência tende a escalar e se tornar cada vez mais grave. Romper esse ciclo exige coragem, mas também exige que a sociedade pare de romantizar o controle e passe a exigir justiça real e políticas públicas eficazes.
Educar as novas gerações sobre o respeito e a igualdade é a nossa missão como educadores e cidadãos. Precisamos falar sobre masculinidade tóxica e ensinar nossas meninas que o amor não dói, não controla e não mata. A prevenção do feminicídio começa na base, no diálogo franco dentro das escolas e na mudança de cultura que ainda insiste em objetificar o corpo e a vida feminina.
Neste espaço, reafirmamos nosso compromisso com a vida e com a segurança de cada leitora. Não se cale, não se isole e, acima de tudo, não aceite menos do que o respeito absoluto. Se você está passando por isso ou conhece alguém que esteja, busque ajuda hoje mesmo. Juntas, somos uma rede de proteção muito mais forte do que qualquer ciclo de violência que tente nos calar.
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Gu Ferrari
Fonte de Pesquisa: Secretaria da Segurança Pública de SP (Dados 2025/2026), Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Agência Brasil.

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Beijo da Gu