Sabe aquele dia em que a agenda parece um campo de batalha e os problemas brotam como grama no jardim? Pois é. Recentemente, postei um vídeo que resume exatamente como me sinto: caminhando de salto alto, segurando uma chave, mas ainda com aquela bola de ferro pesada acorrentada ao tornozelo. Pode parecer contraditório, mas é a mais pura tradução da vida real de uma mulher 50+.
Muitas vezes, a gente cai na cilada de pensar: "Vou ser feliz quando esse problema acabar" ou "Vou relaxar assim que resolver aquela pendência". Só que, spoiler: os problemas nunca acabam de verdade! Eles apenas mudam de CPF, de endereço ou de intensidade. Se a gente esperar o horizonte ficar 100% limpo para começar a caminhar, vamos acabar criando raízes no mesmo lugar.A imagem que usei mostra que a chave está na minha mão. Eu sei como resolver, eu tenho a ferramenta, mas escolhi não parar a minha vida enquanto o processo acontece. É sobre entender que a solução de um conflito faz parte do trajeto, e não é um bloqueio na estrada. A gente resolve um por um, mas sem tirar o batom e sem descer do salto (nem que o salto seja simbólico!).
Como escritora e pedagoga, percebo que passamos décadas ensinando e aprendendo a ser multitarefas, mas raramente aprendemos a ser "multifelicidade". É possível estar preocupada com um boleto ou uma questão de família e, ainda assim, sentir o sol no rosto e saborear um café gostoso. Uma coisa não anula a outra, a menos que a gente permita.
Essa bola de ferro que carregamos — sejam responsabilidades, traumas ou prazos — só fica mais pesada se pararmos de nos movimentar. Quando caminhamos, o foco muda do peso para o destino. A rua é longa, cheia de vitrines bonitas e pessoas interessantes. Por que eu ficaria sentada na calçada chorando por causa de uma corrente, se eu posso desfilar com ela até encontrar o momento certo de abrir o cadeado?
Para as minhas leitoras que já passaram dos 50, essa sabedoria vem com um sabor especial. Já não temos tempo a perder com esperas inúteis. A maturidade nos dá esse superpoder de olhar para o problema, dar uma piscadinha para ele e dizer: "Espera aí que agora vou ali viver um pouco e já volto para te resolver". É o famoso "viver o enquanto".
No meu blogEntão, a minha pergunta para você hoje é: qual é o "enquanto" que você está ignorando? Não deixe a vida passar enquanto você foca apenas no cadeado. Use a sua chave com sabedoria, mas não esqueça de notar como a paisagem é bonita. Vamos juntas, um passo (e um problema resolvido) de cada vez!

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Leio e respondo.
Beijo da Gu